Numa altura em que as moedas digitais têm mostrado que são um negócio assente em critérios dúbios (sem paridade) com base na super especulação, o que aqui escrevo merece atenção devido à sua importância e, quando aprendido, colocará qualquer pessoa na maratona dos investidores.

A volatilidade de um ativo (as subidas e as descidas do valor desse ativo) é uma das definições mais utilizadas para medir o risco dos investimentos, sendo a volatilidade medida em unidades de desvio padrão.

Ou seja: quanto maior for a variação do ganho de um ativo, maior será o seu desvio padrão.

Suponha um ativo que tenha um ganho (retorno) anual constante de 10%. Qual é o seu desvio padrão? Zero, já que o ganho é constante, e não houve nenhum desvio desses 10%.

Porém, suponha um ativo que alterna os seus ganhos entre 8% e 12%. Neste exemplo, o desvio padrão é de 2%, visto a sua média ser de 10% e esse ativo variar entre 8% (–2% em relação à média) e 12% (+2% em relação à média). Para reforçar a ideia: no caso de um ativo possuir retornos que alternem entre 0% e 20%, o seu desvio padrão será de 10%. Portanto, o desvio padrão será medido pelo desvio (tanto para baixo como para cima) em relação à média de retorno.

Conhecendo o desvio padrão de um investimento e o seu retorno médio, é possível desenhar o gráfico da sua distribuição normal. Caso nunca tenha tido contato com a estatística, tal conceito pode parecer um pouco complexo, pois é um pouco abstrato, mas é possível explicar tal conceito de uma forma clara.

Lembre-se:  O desvio padrão representa uma medida de variabilidade que deve ser utilizada quando os dados seguem perfeitamente a distribuição normal. Contudo, sugiro que vá à página https://estatisticafacil.org e se informe melhor.

Falemos agora de probabilidade e de risco. Suponhamos, agora, que temos 1.000 moedas (não-viciadas) e, para ter a certeza de que analisaremos um amplo volume de aleatoriedade, as lançamos 10 vezes para cima de um tabuleiro. Após cada jogada, separamos as moedas que “calharam” cara e as que “calharam” coroa. Registamos estes dados e criamos um gráfico, referente às dez jogadas, para medir a relação entre o número de caras (Eixo X) e a frequência de cada número de coroas (Eixo Y). Ao desenhar o gráfico, vai perceber que este possui o formato de uma montanha, de um sino.

Em estatística, esse tipo de distribuição, com maior frequência no centro e menor frequência nas laterais, é chamado de distribuição normal e ao gráfico é dado o nome de curva de sino (bell curve). Por outro lado, como são dez jogadas, e as moedas não são viciadas, é natural esperar que, na grande maioria dos casos, a moeda caia cinco vezes com a imagem cara virada para cima e cinco vezes com a imagem coroa virada para cima. Experimente!

Se lançarmos as 1.000 moedas dez vezes, é possível que 237 das moedas resultem no tal resultado proporcional: 5 caras, 5 coroas. Será que este exemplo pode ser aplicado aos investimentos?

Antes de aplicar esse conceito aos investimentos, é necessário fazer uma importante observação para tentar responder a algumas dúvidas: a) Por que devemos comparar os jogos de moedas com o mercado financeiro? Porque a intenção é facilitar a compreensão dos conceitos estatísticos, que são úteis para uma avaliação do risco de investimento. b) Por que supor que o retorno dos ativos se comporta de forma normal, ou seja, através de uma distribuição gaussiana? Porque o retorno dos ativos não se comporta perfeitamente como uma distribuição normal, sendo uma medida de aproximação, que trabalha com probabilidades. c) Por que devemos utilizar os retornos tidos no passado para calcular o risco de um ativo, visto os retornos futuros serem diferentes? Porque o objetivo em utilizar a estatística não é saber com precisão o retorno ou risco esperado de um ativo.

O objetivo é dar as ferramentas necessárias para aumentar a probabilidade de sucesso das análises. Muito mais poderia escrever. Fica a ideia! Em tom de brincadeira deixo este desafio: tente lançar bitcoins para um tabuleiro e avalie a relação entre o retorno e o risco desses ativos que estão assentes em nada…

Luís Lopes
Consultor Financeiro há mais de 30 anos.
Especialista em Planos Financeiros de Proteção e Poupança.


Rua Abílio Mendes, 14 - A, 1500 - 458 Lisboa
Tlm: +351 966 272 400
Email: luis.lopes@anytime-consulting.pt

 

 

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